Fato: Felipe Camarão autorizou pagamento e nomeou cobrador de conta que gerou morte no Tech Office

Veja os documentos abaixo
Documentos que integram o processo de pagamento da conta que provocou um assassinato na calçada do Tech Office, na Avenida dos Holandeses, em agosto de 2022, associados a outros papéis sobre a vida pregressa dos envolvidos, indicam que o atual vice-governador e ex-secretário de Educação do Estado (Seduc), Felipe Camarão, tem colaborações a prestar no inquérito que apura a motivação do homicídio.
A conta era de uma empresa de vigilância armada. Quem morreu por causa dela foi João Bosco Sobrinho Pereira Oliveira, que respondia pelo menos dez processos, inclusive de homicídio. Bosco prestava serviços a agiotas como cobrador; também “auxiliava” credores de contas dadas como perdidas nas diferentes esferas do poder público. Por uma delas, em janeiro de 2020, chegou a manter sob cárcere privado o então prefeito de São Luís, Edvaldo Holanda Júnior.
Apesar da ficha corrida, Camarão, no final de novembro de 2021, nomeou Bosco como seu auxiliar técnico na Seduc.
COBRANÇA E MORTE – A conta tinha como credora a SH Vigilância e Segurança LTDA. Referia-se a serviços de vigilância armada dos meses de novembro e dezembro de 2014, nas escolas e Faróis da Educação da Regional de Imperatriz. Atravessou todo o primeiro mandato de Flávio Dino sem que ninguém mexesse nela.
Em janeiro de 2019, Felipe Camarão como chefe da Seduc, finalizou um “processo de apuração sumária”, reconhecendo a dívida e, no mesmo ato, a encaminhou para pagamento. A liquidação se deu no começo de agosto de 2022. Felipe já não era secretário, mas Delmar Junior, que vinha de Camarão e permaneceu adjunto financeiro, cumpriu o cronograma da pasta assinando a ordem de pagamento.
A essa altura, a conta já não seria mais da SH Vigilância. Teria sido negociada, com deságio, com um “investidor” que se fazia representar por um outro “especialista” em cobranças, Gilbson César Soares. Gilbson e Bosco (Bosco, nomeado por Camarão, alegava ter trabalhado internamente na Seduc para que a conta fosse paga) se desentenderam. Em vários depoimentos, Gilbson afirma que Bosco marcou dia e hora para assassinar seu filho de 9 anos na porta da escola.
Com encontro marcado na calçada do Tech Office, os dois rivais foram armados. Gilbson portava sua pistola numa pochete, enquanto Bosco deixou a dele dentro do carro. Na ocasião, Gilson matou Bosco.
Julgado, depois de repetir o mesmo depoimento por pelo menos dez vezes, na polícia, nas audiências e no tribunal do júri, Gilbson foi condenado a 13 anos de cadeia. Há dois meses, sem que nenhum fato novo tenha ocorrido, ele foi transferido para Brasília.
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Aqui, Felipe Camarão reconhece a dívida e a encaminha para pagamento.

Aqui, Felipe Camarão reconhece a dívida e a encaminha para pagamento

Neste, Camarão nomeia Bosco na Seduc, que acabou assassinado numa briga por recebimento que alegava ter intermediado

Cópia do Boletim de Ocorrência: o então prefeito Holanda Júnior ficou um dia preso em casa, por vontade de Bosco

Justiça manda arquivar processo que corria contra Bosco: crime de homicídio
