Declaração de Camarão sobre Bosco contradiz histórico criminal

Por Luís Pablo Política
 
Felipe Camarão e João Bosco

Felipe Camarão e João Bosco

O vice-governador do Maranhão, Felipe Camarão (PT), tenta se afastar da polêmica que envolve a nomeação do empresário João Bosco Sobrinho Pereira, assassinado em agosto de 2022, em um crime ligado à divisão de propina da Secretaria de Educação (SEDUC).

Ao Estadão, Camarão afirmou que Bosco “preencheu todos os requisitos exigidos por leis e decretos” e que sua nomeação foi aprovada pela Casa Civil.

A declaração, porém, abre mais dúvidas do que esclarecimentos. Afinal, como alguém com um histórico de violência, intimidação e envolvimento com agiotas pôde ser considerado apto a ocupar um cargo público em uma das pastas mais estratégicas do governo estadual?

Na capital maranhense, João Bosco era conhecido como “notório cobrador de agiotas”, circulando em ambientes onde pressão e ameaças eram moeda de troca.

Em 2020, o então prefeito de São Luís, Edivaldo Holanda Júnior, registrou boletim de ocorrência contra ele, relatando que Bosco fazia campana em frente à sua casa e chegou a impedir entradas e saídas até o pagamento de uma suposta dívida.

Não se tratava, portanto, de um desconhecido sem antecedentes: Bosco tinha ficha corrida e notoriedade negativa no meio político e empresarial da cidade.

Apesar desse histórico, Bosco foi nomeado para o cargo de Auxiliar Técnico II, símbolo DAI-5, na SEDUC. O ato foi assinado pelo próprio Felipe Camarão, então secretário da pasta.

Curiosamente, o próprio Bosco gravou um vídeo comemorando que assumiria como “superintendente” da secretaria.

Ao tentar se eximir de responsabilidade, Felipe Camarão acaba lançando ainda mais dúvidas: se Bosco “preenchia todos os requisitos”, então quais eram os critérios reais adotados pela SEDUC? Por que Camarão abriu espaço para que uma pessoa com ficha de violência fosse parar na folha de pagamento do Estado?

A trajetória de João Bosco revela que os “requisitos” de nomeação na pasta de Felipe Camarão não se limitavam a fichas técnicas ou legais, mas incluíam relações pessoais e conveniências políticas.

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