População paga o preço da greve enquanto Braide evita assumir responsabilidade pelo transporte

Eduardo Braide se mantém isolado e ignora o caos no transporte público
A capital maranhense vive dias de caos no transporte público. A greve dos rodoviários paralisou a cidade e jogou milhares de trabalhadores, estudantes e usuários no desespero diário para conseguir se locomover.
No centro da crise está a postura do prefeito Eduardo Braide, que, até agora, não demonstrou disposição efetiva para conduzir uma solução. A responsabilidade é do Município, poder concedente do serviço, mas o que se vê é silêncio e distanciamento da realidade das ruas.
A condução da Prefeitura foi publicamente questionada pelo desembargador Gerson de Oliveira Costa Filho, vice-presidente e corregedor do TRT da 16ª Região. Em entrevista, ele apontou intransigência da gestão municipal e relatou que as partes envolvidas reclamam da falta de diálogo com o corpo técnico da Prefeitura.
Segundo o magistrado, a expectativa é que o Município apresente uma proposta concreta em audiência de conciliação para encerrar a paralisação. O recado foi direto: sem iniciativa do poder concedente, a greve se arrasta e o prejuízo recai exclusivamente sobre a população.
Paralelamente, o Ministério Público do Maranhão entrou em campo. A 1ª Promotoria de Justiça Especializada na Defesa do Consumidor encaminhou ofício ao prefeito solicitando manifestação, em cinco dias, sobre o interesse em firmar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para regularizar o transporte coletivo.
O Ministério Público deixou claro que a crise não é pontual. Trata-se de um problema estrutural, marcado por falhas de gestão, falta de transparência, instabilidade regulatória e risco concreto à continuidade de um serviço essencial.
Denúncias de usuários relatam frota sucateada, ônibus sem manutenção, superlotação, ausência de ar-condicionado e pontos sem estrutura mínima. Um retrato que contrasta com o discurso oficial e evidencia o abandono do sistema.
Mesmo diante da pressão institucional, a gestão municipal segue sem resposta clara. A Promotoria, inclusive, advertiu que a ausência de manifestação pode levar à adoção de outras medidas institucionais.
O impasse também envolve o equilíbrio econômico-financeiro dos contratos. As empresas alegam falta de reajuste regular e decisões administrativas que priorizaram soluções emergenciais, em vez de investimentos no transporte regular.
Enquanto o prefeito mantém postura de autossuficiência política, amparado em boa avaliação popular, quem paga a conta é o cidadão comum. A greve escancarou um gestor isolado, resistente ao diálogo e distante do drama diário de quem depende do ônibus para sobreviver.
Em São Luís, o transporte parou. E a sensação nas ruas é de que a Prefeitura também.
