Nova Olinda-MA terá nova eleição após cassação de prefeito e vice

Por Luís Pablo Política
 
Ary Menezes

Ary Menezes

O Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE-MA) marcou para o dia 6 de dezembro a eleição suplementar para prefeito e vice-prefeito de Nova Olinda do Maranhão.

A nova votação ocorre após a cassação dos mandatos do prefeito Ary Menezes (PP) e do vice Ronildo da Farmácia (MDB). Os dois foram afastados por abuso de poder econômico nas eleições de 2024.

Segundo a Justiça Eleitoral, a campanha foi marcada pela oferta de dinheiro, materiais de construção e empregos em troca de votos. Ary Menezes e os envolvidos na anulação do pleito não poderão participar da nova disputa.

Com a saída da chapa, o presidente da Câmara Municipal, José Alberto Lopes Sousa, assumiu interinamente o comando da Prefeitura e permanecerá no cargo até a posse dos novos eleitos.

As convenções partidárias deverão ser realizadas entre 21 de setembro e 7 de outubro. O prazo para registro das candidaturas termina às 19h do dia 17 de outubro. A eleição definirá quem administrará o município até o fim de 2028.

Flávio Dino cita Jesus e manda recado em meio à crise no Supremo

Por Luís Pablo Justiça
 
Ministro Flávio Dino

Ministro Flávio Dino

O ministro Flávio Dino publicou, nesta sexta-feira (4), um texto carregado de recados em meio à grave crise instalada no Supremo Tribunal Federal.

Sem citar nomes, ele recorreu a referências religiosas, falou em “gritos de hipócritas” e afirmou que o STF é maior do que qualquer ministro que integra a Corte.

Dino destacou em caixa-alta as palavras “PROCEDIMENTOS”, “OUVIR”, “LER”, “TEMPO”, “ORADOR” e “LEALDADE INSTITUCIONAL”. A mensagem é que qualquer resposta à crise deve passar pelos procedimentos internos do Supremo, depois que todos sejam ouvidos e no momento considerado adequado pela própria Corte.

Ao citar Jesus — “por que você repara no cisco no olho do seu irmão, mas não vê a viga no seu próprio?” — logo depois de falar em “gritos de hipócritas”, Dino deixa de apenas defender o devido processo e parte para o contra-ataque. O recado é: quem aponta os problemas do Supremo também teria erros graves e não possuiria autoridade moral para julgá-lo.

Dino não identifica o destinatário do recado. Pelo momento da publicação, porém, a manifestação inevitavelmente será interpretada dentro do confronto aberto entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, além da crescente cobrança para que o Supremo esclareça as revelações envolvendo Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro.

O ministro também recorreu ao termo grego “Kairós”, definido por ele como o “tempo oportuno”. A referência reforça exatamente o discurso do presidente do STF, Edson Fachin, de que as medidas serão anunciadas “no tempo devido e sem precipitação”.

Mas cautela não pode ser confundida com demora. A população quer uma explicação imediata, e os indícios já conhecidos exigem uma medida urgente. Porque deixar o tempo passar só aumenta a impressão de que estão esperando o escândalo esfriar para abafá-lo.

Veja na íntegra a decisão de Moraes e o relatório da PF contra Mendonça

Por Luís Pablo Política
 
Alexandre de Moraes, Mendonça e Andrei Rodrigues

Alexandre de Moraes, Mendonça e Andrei Rodrigues

O site do Luís Pablo disponibiliza a íntegra da decisão em que o ministro Alexandre de Moraes aponta “fortes indícios” de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade para o ministro André Mendonça.

O documento foi produzido no inquérito das fake news e encaminhado ao presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin.

Também está disponível o relatório completo da Polícia Federal usado por Moraes para acusar Mendonça.

O material reúne 50 páginas com críticas à atuação de André Mendonça na condução das operações “Sem Desconto e Compliance Zero”.

CLICA E VEJA A ÍNTERGA DO RELATÓRIO DA PF

CLICA E VEJA A ÍNTERGA DA DECISÃO DE MORAES

Moraes usa inquérito sob seu comando em defesa própria e acusa Mendonça

Por Luís Pablo Justiça
 

Surreal. Essa é a palavra que define o que está acontecendo no Supremo Tribunal Federal. O ministro Alexandre de Moraes usou o inquérito das fake news, do qual é relator, para reagir à investigação que revelou suas mensagens com Daniel Vorcaro. Em decisão assinada nesta quinta-feira (3), Moraes apontou “fortes indícios” de que André Mendonça cometeu abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade.

A ofensiva ocorreu dois dias depois de Mendonça retirar o sigilo do relatório da Polícia Federal e defender que o caso fosse levado ao plenário do Supremo. O documento expôs as mensagens enviadas por Vorcaro a Moraes e os pedidos feitos pelo banqueiro enquanto era investigado no escândalo do Banco Master.

O absurdo institucional está justamente aí: citado no material investigado, Moraes recorreu a um inquérito sob seu próprio comando para acusar de crimes o ministro que mandou aprofundar a apuração. Na decisão, chegou a classificar as diligências como uma tentativa de “incriminá-lo”.

Moraes tem o direito de contestar qualquer ilegalidade e apresentar sua defesa. O que não pode ser tratado como normal é um ministro atuar, ao mesmo tempo, como interessado direto, relator do inquérito e autor de uma decisão contra quem determinou a investigação de fatos que o atingem pessoalmente.

Reportagem rastreia número ligado a Moraes e encontra perfil “Xandao” no TikTok

Por Luís Pablo Justiça
 

Uma investigação do jornalista Luiz Fernando Toledo, da BBC News Brasil em Londres (veja aqui), encontrou novas conexões digitais envolvendo o número de telefone atribuído ao ministro Alexandre de Moraes nas mensagens extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro.

A BBC News Brasil submeteu o número a uma plataforma europeia de inteligência de fontes abertas. No TikTok, o telefone aparece vinculado a um perfil identificado como “Xandao”, criado em 2024. A conta tem três seguidores e segue apenas um perfil, pertencente a uma das filhas do ministro.

A apuração verificou diretamente no aplicativo que Viviane Barci de Moraes, mulher de Alexandre de Moraes, e a mesma filha estão entre os seguidores da conta. O número também apareceu associado ao nome “Min. Alexandre de Moraes” em três serviços de identificação e busca reversa de telefones: SimplerMe, Calling App e Truecaller.

No celular de Vorcaro, o mesmo número estava armazenado com quatro identificações: “Alexandre de Moraes BRASILIA”, “Novo”, “STF TSE NOVO” e “Eu STF”. Segundo o relatório da Polícia Federal, o contato foi compartilhado com o banqueiro pelo ex-ministro Fábio Faria, em dezembro de 2023.

O relatório da PF não afirma expressamente que o número pertencia a Moraes e classifica os registros como “possíveis interações”. A perícia recuperou somente as mensagens enviadas por Vorcaro, porque o celular do outro interlocutor não foi analisado. As respostas atribuídas ao ministro, portanto, não aparecem no documento.

As conexões encontradas pela BBC, embora não representem isoladamente uma confirmação oficial da propriedade do telefone, reforçam a identificação do número atribuído a Moraes. O gabinete do ministro foi procurado pela reportagem, mas não respondeu até a publicação.

Deputado acusa vice-governador do MA de usar vídeo sobre depressão para chantageá-lo

Por Luís Pablo Política
 
Deputado Yglésio e senador Flávio Bolsonaro; vice-governador Felipe Camarão e o presidente Lula

Deputado Yglésio e senador Flávio Bolsonaro; vice-governador Felipe Camarão e o presidente Lula

O deputado estadual Yglésio Moyses revelou uma acusação grave ao comentar a circulação de um vídeo antigo que registra um dos momentos mais delicados de sua vida pessoal. Segundo o parlamentar, o vice-governador Felipe Camarão (PT) chegou a utilizar o material para chantageá-lo politicamente.

O vídeo foi gravado em 2016, período em que Yglésio enfrentava problemas relacionados à saúde mental. As imagens, de caráter íntimo e familiar, voltaram a circular nos últimos dias em meio à disputa eleitoral deste ano. O deputado é pré-candidato a uma vaga na Câmara Federal.

Ao se manifestar publicamente, Yglésio afirmou que o material registra uma situação de vulnerabilidade e relatou que enfrentava depressão naquele período. Mais grave, porém, foi a revelação de que o vídeo já teria sido usado anteriormente como instrumento de pressão política. Segundo ele, Felipe Camarão utilizou as imagens para tentar chantageá-lo.

A denúncia ultrapassa a disputa entre adversários políticos. Depressão, crises psicológicas e outros transtornos de saúde mental podem atingir qualquer pessoa e não deveriam ser transformados em arma de constrangimento, intimidação ou disputa eleitoral. Um registro produzido dentro da intimidade familiar, especialmente em um momento de fragilidade, exige tratamento responsável.

A nova circulação das imagens ocorre justamente quando Yglésio intensifica sua atuação política contra o grupo ligado ao ex-governador Flávio Dino e participa diretamente da CPI que investiga denúncias envolvendo Felipe Camarão. Em julho, como relator da comissão, Yglésio apresentou requerimento que resultou na aprovação da quebra dos sigilos bancário e fiscal do vice-governador.

A acusação feita por Yglésio agora precisa ser esclarecida. Felipe Camarão usou o vídeo para pressionar o parlamentar? Em que circunstâncias isso ocorreu? O que teria sido exigido em troca da não divulgação das imagens? Pela gravidade da denúncia, são respostas que o vice-governador precisa dar.

Para Vorcaro, Moraes era seu ativo mais valioso

Por Luís Pablo Justiça
 
Daniel Vorcaro

Daniel Vorcaro

As mensagens de Daniel Vorcaro reveladas no relatório da Polícia Federal mostram que, entre os inúmeros negócios e interesses do banqueiro, havia uma relação que recebia tratamento especial: a que envolvia Alexandre de Moraes e sua família.

Isso fica evidente quando Vorcaro descobre o atraso de um pagamento milionário ao escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro. A reação é imediata. O banqueiro cobra seus subordinados, manda resolver o problema na hora e deixa registrado o tamanho da preocupação: aquele era o “contrato mais importante que temos”.

Não era uma expressão isolada. Em outra cobrança, Vorcaro determina que o pagamento não poderia atrasar “um dia” e volta a definir a obrigação ligada ao escritório da família de Moraes como “o pgto mais importante que temos”.

É justamente essa insistência que chama atenção. Em meio à estrutura bilionária do Master, Vorcaro demonstrava uma preocupação incomum quando o assunto era o contrato com o escritório da mulher de um ministro do Supremo.

As mensagens ajudam a entender por que Moraes parecia ocupar uma posição tão valiosa para Vorcaro. O próprio banqueiro deixou isso registrado.

Moraes não tem mais condições morais e institucionais de permanecer no STF

Por Luís Pablo Justiça
 
Ministro Alexandre de Moraes só cabe a renúncia

Ministro Alexandre de Moraes só cabe a renúncia

Editorial | Luís Pablo

As revelações envolvendo Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro ultrapassaram todos os limites do que pode ser tratado como uma relação pessoal. Os documentos expõem uma proximidade incompatível com o cargo ocupado pelo ministro e levantam dúvidas que atingem diretamente a credibilidade do Supremo Tribunal Federal.

Não estamos diante de uma conversa isolada. Vieram à tona encontros, mensagens, pedidos de ajuda e referências a autoridades responsáveis justamente por investigar e fiscalizar. Poucos dias antes de ser preso, Vorcaro chegou a perguntar a Moraes se já deveria estar fora do país. Uma pergunta dessa gravidade não pode ser respondida com silêncio.

Há também o contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório da esposa do ministro. Os registros indicam que Moraes analisou o documento e aparece como responsável pela última modificação de versões do contrato. O escritório apresentou sua explicação, mas o tamanho do negócio, a proximidade entre as partes e tudo o que surgiu depois exigem muito mais do que uma nota.

As mensagens revelam ainda Vorcaro recorrendo a Moraes ao mencionar Paulo Gonet e Andrei Rodrigues. Não importa apenas saber se o ministro recebeu ou respondeu a cada mensagem. O país precisa conhecer a natureza dessa relação, quais interesses estavam em jogo e por que um banqueiro investigado enxergava em um ministro do STF um canal para tratar de interesses que revelam uma relação promíscua entre o poder público e o poder econômico.

Ministros do Supremo julgam, determinam prisões, autorizam buscas e interferem diretamente na vida de milhões de brasileiros. Quem exerce tamanho poder não pode conviver com tamanha sombra de dúvida. A autoridade de uma decisão judicial não nasce apenas da caneta, mas da confiança de que ela está nas mãos de alguém independente e acima de interesses privados.

Alexandre de Moraes perdeu as condições políticas, morais e institucionais de permanecer no STF. Sua renúncia não apagaria os fatos nem encerraria as investigações, mas evitaria que o peso dessas revelações continuasse arrastando a Suprema Corte para uma crise provocada por um de seus próprios integrantes.

Se Moraes decidir permanecer, caberá ao Senado cumprir sua responsabilidade constitucional. Nenhum cargo pode servir de abrigo contra explicações, investigações e consequências. O poder não torna ninguém intocável. Quanto maior a autoridade, maior deve ser a prestação de contas.

O Brasil já viu os documentos. Agora exige respostas. E o Supremo precisa decidir se preservará a credibilidade da instituição ou o cargo de um ministro.

Mendonça quer levar caso de Moraes ao plenário do STF para discussão pública e transparente

Por Luís Pablo Justiça
 
Ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes

Ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes

O ministro André Mendonça quer que o plenário do Supremo Tribunal Federal analise os elementos encontrados pela Polícia Federal envolvendo Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro. A discussão deverá ocorrer em sessão pública e presencial.

Mendonça já tratou do assunto com o presidente da Corte, Edson Fachin, a quem cabe definir a pauta do tribunal. A intenção é fazer com que todos os ministros se posicionem sobre os próximos passos da investigação.

O relatório da PF identificou Moraes como destinatário de mensagens nas quais Vorcaro tratava das investigações contra o Banco Master e mencionava o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.

Ao retirar o sigilo do processo, Mendonça afirmou que o caminho “inevitável” do caso leva ao plenário. A Procuradoria-Geral da República foi chamada a se manifestar, mas o ministro deixou claro que a análise pelo colegiado deverá ocorrer independentemente da posição apresentada pelo órgão.

Se a sessão for marcada, os integrantes do STF terão de decidir publicamente se os elementos reunidos pela Polícia Federal justificam a abertura de uma investigação contra Moraes e quais providências deverão ser adotadas.

Moraes e Mendonça batem boca e quase chegam à agressão física no STF

Por Luís Pablo Justiça
 
Ministro André Mendonça e Alexandre de Moraes

Ministro André Mendonça e Alexandre de Moraes

Os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça protagonizaram uma forte discussão dentro do Supremo Tribunal Federal e quase chegaram à agressão física. A informação foi revelada nesta terça-feira (1º) pela coluna de Andreza Matais, no site Metrópoles.

Segundo a jornalista, Moraes pediu uma conversa com Mendonça depois de descobrir que o colega havia determinado à Polícia Federal o aprofundamento da investigação sobre mensagens encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro. O encontro desandou, houve bate-boca e a discussão quase terminou em confronto físico.

A apuração da PF identificou Moraes como o destinatário de mensagens nas quais Vorcaro mencionava o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. A coluna classificou o conteúdo como um pedido de “proteção” das duas autoridades.

Durante a discussão, Mendonça teria questionado como Moraes tomou conhecimento de uma investigação sigilosa que estava sob sua relatoria. Moraes, por sua vez, acusou o colega de direcionar a apuração contra ele.

A crise ganhou ainda mais força depois que Mendonça retirou o sigilo do processo e permitiu o acesso público ao relatório de 218 páginas produzido pela PF. O ministro também afirmou que os novos elementos deverão ser analisados pelo plenário do STF em sessão pública e presencial.

Ainda segundo Andreza Matais, Moraes está reunindo informações para contra-atacar Mendonça. Até o momento, os dois ministros não se manifestaram publicamente sobre o relato da discussão.