
Secretário Othon Luiz Machado Maranhão (Prefeitura de Caxias-MA)
A Polícia Federal voltou a bater à porta do grupo político que comanda Caxias. Na manhã desta terça-feira (3), foi deflagrada a operação “Tá na Conta”, que investiga a compra de renúncia de candidaturas nas eleições municipais de 2024.
As mensagens interceptadas pela investigação são diretas e comprometedoras. “Show. Coloca proposta alta”, diz um dos trechos. Em seguida: “Botei. 50k. Tava se tremendo toda”.

Segundo relatório da PF, valores entre R$ 20 mil e R$ 40 mil teriam sido oferecidos para que candidatas mulheres desistissem da disputa. A estratégia, de acordo com a apuração, seria desestabilizar chapas adversárias e burlar a cota de gênero.
Um dos principais alvos é Othon Luiz Machado, atual secretário municipal de Administração, Finanças, Planejamento e Gestão Fazendária.
O nome da operação não foi escolhido por acaso. “Tá na Conta” faz referência a um vídeo publicado pelo próprio secretário em agosto do ano passado, após ele ser alvo de outra ação da PF envolvendo suspeita de desvio de recursos do Fundeb.
Na ocasião, depois de sofrer busca e apreensão, a Prefeitura divulgou um vídeo em que o secretário aparece no computador e anuncia: “Tá na conta”. A publicação foi vista como um deboche à operação do dia anterior, que investigava pagamentos indevidos a servidores.
Nessa investigação, a suspeita é de mais de R$ 50 milhões desviados do Fundeb entre 2021 e 2025. A PF aponta que parte dos valores contratados em licitações municipais era devolvida a servidores envolvidos no esquema.
Caxias é administrada pelo prefeito Gentil Neto. A nova operação amplia a pressão sobre a gestão, que já convive com sucessivas investigações federais envolvendo o núcleo político do município.
Ao todo, sete mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Caxias (MA) e Teresina (PI). A Prefeitura ainda não se manifestou.
O histórico recente mostra que o cerco não é isolado. E a cidade volta, mais uma vez, ao noticiário policial — não por obras, mas por operações.